Carregador sem fio: guia para escolher (e quando não vale a pena)

Celular apoiado sobre uma base de carregamento sem fio ligada na tomada.
Foto: LG전자 / Wikimedia Commons / CC BY 2.0

Carregador sem fio não é sobre velocidade: pelo cabo sempre será mais rápido. É sobre atrito: a diferença entre encostar o celular na mesa e encaixar um conector dez vezes por dia. Vale a pena quando esse atrito incomoda, e não vale quando você precisa de bateria com pressa.

Qi, Qi2 e MagSafe: o que muda na prática

  • Qi (padrão antigo): 5W a 7,5W, sem ímã. Você precisa acertar a posição, e um desalinhamento de poucos milímetros derruba a velocidade ou para o carregamento.
  • MagSafe: implementação da Apple, com anel de ímãs e 15W em iPhone.
  • Qi2: o padrão aberto adotou os ímãs. Um carregador Qi2 entrega 15W em iPhone e em Android compatível, e o alinhamento deixa de ser problema.

Se você for comprar hoje, compre Qi2. A diferença de preço para um Qi antigo é pequena e o ganho de confiabilidade é grande.

Quando o cabo continua sendo a resposta certa

  • Você precisa de 80% de bateria em meia hora antes de sair. Indução não chega perto disso.
  • Seu celular não suporta Qi2 e cairia para 7,5W.
  • Você carrega durante o uso, segurando o aparelho. Nesse caso o carregador sem fio simplesmente não funciona.

O que aparece nos relatos de uso

Quando se lê relato de quem usa carregador sem fio todo dia, três assuntos dominam, e nenhum deles é a velocidade anunciada.

O primeiro é a capa do celular. É de longe a causa mais comum de “o ímã ficou fraco” e de carregamento que não engata: capa acima de 3 a 5 mm, ou com placa metálica dentro, atrapalha tanto o ímã quanto a indução. Antes de trocar de carregador, vale testar sem a capa. Modelos com anel magnético embutido na própria capa resolvem isso melhor que carregador mais caro.

O segundo é calor, e ele não é defeito de marca nenhuma: indução perde energia na transferência e essa perda vira calor perto da bateria. Aparece em review de carregador barato e também no da própria Apple. O que dá para controlar é ventilação, capa fina e não carregar em cima da cama. Curiosamente, as estações dobráveis 3 em 1 costumam se sair melhor nesse quesito que os pads simples, porque o celular fica em pé e com ar circulando dos dois lados.

O terceiro é acabamento de cabo. No pad magnético da Anker, os pontos criticados com mais frequência não têm nada a ver com carregar: o cabo é fixo no aparelho, o reforço na saída é fraco para um produto que fica sendo puxado todo dia, e a base escorrega na mesa se você tira o celular com uma mão só. Some a isso o fato de a fonte de alimentação não vir na caixa na maioria das versões, e o preço real do conjunto sobe.

Preços variam bastante entre promoções, e muitos modelos não incluem a fonte de alimentação. Confira antes de comprar.

Comparativo rápido

Modelo Melhor para Faixa de preço
Anker MagGo (pad Qi2) Mesa de trabalho, uso diário R$ 200 – R$ 320
Estação 3 em 1 dobrável Cabeceira, quem tem relógio e fone R$ 400 – R$ 700
Carregador GaN com cabo Velocidade e menor preço R$ 100 – R$ 200

Para a maioria, um pad Qi2 simples na mesa de trabalho é o suficiente e resolve o incômodo diário. A estação 3 em 1 só compensa para quem realmente tem três aparelhos para carregar toda noite. E se a sua reclamação é que o celular demora a carregar, o problema não se resolve com indução, e sim com um carregador GaN e um cabo bom.


Nossas recomendações

Melhor escolha

Anker MagGo Wireless Charger (Pad Qi2)

O básico bem feito: ímãs que alinham sozinho e 15W de verdade em iPhone e Android com Qi2.

Prós

  • Alinhamento magnético elimina o erro de posicionar torto
  • 15W reais em aparelhos compatíveis com Qi2
  • Base emborrachada não desliza na mesa

Contras

  • Fonte de alimentação vendida separadamente na maioria das versões
  • Celulares Android sem Qi2 caem para 7,5W
  • O cabo é fixo no aparelho e reviewers apontam reforço fraco na saída, o que preocupa em uso de anos
  • Escorrega em mesa lisa se você puxa o celular com uma mão só

R$ 200 – R$ 320

Ver preço na Amazon
Melhor custo-benefício

Estação 3 em 1 dobrável (Anker / Baseus)

Carrega celular, fone e relógio numa base só, resolvendo a mesa de cabeceira inteira.

Prós

  • Um cabo e uma tomada para três aparelhos
  • Modelos dobráveis servem também de suporte de viagem
  • Deixa o celular em ângulo de leitura enquanto carrega

Contras

  • Bem mais caro que um carregador simples
  • Suporte a relógio costuma ser específico de marca (Apple ou Samsung)

R$ 400 – R$ 700

Ver preço na Amazon
Também vale

Carregador GaN com cabo USB-C (alternativa)

Se o critério é carregar rápido e gastar pouco, o cabo continua ganhando de qualquer carregador sem fio.

Prós

  • Carrega de 2 a 3 vezes mais rápido que indução
  • Não desperdiça energia em calor
  • Custa metade do preço de um bom carregador magnético

Contras

  • Você precisa encaixar o cabo, que é justamente o que se quer evitar
  • Conector do celular sofre desgaste com o tempo

R$ 100 – R$ 200

Ver preço na Amazon

Os preços são faixas de referência e mudam com frequência. Confira o valor atual na Amazon antes de comprar.


Perguntas frequentes

Qual a diferença entre Qi, Qi2 e MagSafe?

Qi é o padrão antigo, limitado a 7,5W no iPhone e sem alinhamento magnético. MagSafe é a implementação da Apple, com ímãs e 15W. Qi2 é o padrão aberto que incorporou os ímãs do MagSafe. Na prática, um carregador Qi2 entrega 15W tanto em iPhone quanto em Android compatível.

Carregador sem fio estraga a bateria?

Não diretamente, mas ele gera mais calor que o cabo, e calor é o que mais degrada bateria de lítio ao longo dos anos. Carregar em cima da cama ou dentro de uma capa muito grossa piora isso. Numa base ventilada e com capa fina, a diferença de vida útil é pequena.

Quanta energia se perde no carregamento por indução?

Entre 20% e 40%, dependendo do alinhamento. Um carregador magnético desperdiça menos porque a bobina fica sempre centralizada. Na conta de luz isso é irrelevante; o que importa é que a energia perdida vira calor perto da bateria.