Pode levar power bank no avião? o que mudou em 2026

Corredor de uma cabine de avião vazia, com as telas dos assentos ligadas.
: Delta News Hub / Wikimedia Commons / CC BY 2.0

Até abril deste ano, levar power bank no avião tinha uma regra prática só: não despachar. Em 24 de abril de 2026 a ANAC publicou uma revisão da Instrução Suplementar 175-001 e apertou o resto, acompanhando o que a OACI recomendou depois da sequência de incêndios de bateria de lítio em cabine.

Continua podendo levar. O que mudou é que agora existe número máximo de aparelhos, teto de energia e coisa que você não pode fazer com ele durante o voo.

O que a ANAC mudou

  • Só bagagem de mão. Na mala despachada é proibido, e isso já valia antes.
  • No máximo dois por passageiro. Esse é o limite novo, e é o que mais pega quem viaja com família e concentra os aparelhos numa mochila só.
  • Até 100 Wh, livre. De 100 Wh a 160 Wh, só com autorização prévia da companhia aérea. Acima de 160 Wh, não embarca de jeito nenhum e o aparelho tem que ser descartado antes.
  • Proibido recarregar o power bank a bordo. Nada de plugar na tomada ou na USB do assento. Usar o power bank para carregar o celular não foi proibido, mas a ANAC recomenda que você não faça.
  • Terminais protegidos contra curto. Na embalagem original ou com as portas isoladas, para não fechar contato com a chave no fundo da mochila.

Vale o de sempre: a companhia pode ser mais dura que a ANAC, e é em voo internacional que isso mais aparece. Algumas empresas asiáticas já proíbem até o uso durante o voo.

A conta que decide tudo: mAh não é Wh

A caixa anuncia mAh. A regra é escrita em Wh. A conversão é uma multiplicação:

Wh = (mAh ÷ 1000) × 3,7

Os 3,7 V são a tensão nominal da célula de lítio, que é a mesma em praticamente todo power bank de consumo. Na prática:

Capacidade Energia aproximada Situação
5.000 mAh 18,5 Wh livre
10.000 mAh 37 Wh livre
20.000 mAh 74 Wh livre
25.000 mAh 92 Wh livre, perto do teto
27.000 mAh 100 Wh no limite
50.000 mAh 185 Wh não embarca

Resumindo: quase tudo que se vende como power bank de bolso passa folgado. Quem esbarra na regra é quem leva bateria de camping, estação portátil de energia ou aquele bloco gigante de 50.000 mAh comprado para acampamento.

Mais importante que a conta é isto: o valor em Wh precisa estar legível na carcaça. Se a etiqueta apagou, ou se o fabricante nunca imprimiu, quem está na fiscalização não tem como validar nada, e a saída fácil é reter o aparelho. É aqui que power bank sem marca sai caro, porque a conta na sua cabeça não vale como prova.

O que comprar (ou só conferir antes de viajar)

Se o seu power bank atual está abaixo de 100 Wh e tem o número impresso e legível, você não precisa comprar nada. O que vem abaixo é para quem vai trocar, para quem não consegue mais ler a etiqueta ou para quem quer resolver isso de uma vez.

Preços mudam com frequência em promoção. Confira o valor atual antes de comprar.

Comparativo rápido

Modelo Energia Melhor para Faixa de preço
Anker Nano 10.000 mAh 37 Wh Viagem curta, uso diário R$ 250 – R$ 330
Anker Laptop 25.000 mAh 90 Wh Quem viaja trabalhando R$ 700 – R$ 900
Anker Nano magnético 5.000 mAh 18,5 Wh Peso mínimo na bagagem R$ 320 – R$ 420

Para a maioria das viagens, o Nano de 10.000 mAh é o suficiente: energia de sobra para o dia de aeroporto, folga confortável em relação ao limite e nenhum cabo extra para lembrar. O de 25.000 mAh só compensa se você realmente carrega notebook em voo longo, e aí vale saber que ele está a poucos Wh da faixa que exige autorização. O magnético de 5.000 mAh é para quem quer só uma sobrevida de bateria e nenhum grama a mais na mochila.

Duas decisões vizinhas mudam o que vale a pena levar. Se o critério não for embarque, e sim velocidade e capacidade no dia a dia, os números que importam são outros e estão no guia de power bank de carregamento rápido. E como recarregar o power bank a bordo virou proibição, quem viaja passa a depender de encher tudo no hotel ou na conexão, o que é exatamente o caso de levar um carregador GaN multi-porta no lugar de três fontes diferentes.


Nossas recomendações

Melhor escolha

Anker Nano Power Bank 10.000 mAh (30W)

37 Wh, cabe no bolso do assento e o cabo USB-C sai do próprio corpo: o formato que menos dá trabalho num voo.

Prós

  • 37 Wh deixam folga enorme em relação ao teto de 100 Wh
  • Cabo USB-C integrado, então não tem cabo solto para caçar na mochila durante a conexão
  • Capacidade em Wh impressa na carcaça, que é o que o agente pede para ver

Contras

  • 10.000 mAh dão 1 a 2 recargas de celular, e num dia inteiro de viagem isso acaba
  • O cabo integrado é curto, e o celular fica preso ao power bank enquanto carrega
  • Não carrega notebook em velocidade útil

R$ 250 – R$ 330

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Melhor custo-benefício

Anker Laptop Power Bank 25.000 mAh (165W)

Cerca de 90 Wh: é quase o teto do que embarca sem pedir autorização, e é o único da lista que carrega notebook.

Prós

  • Três portas USB-C carregam notebook, celular e fone ao mesmo tempo
  • Cabos retráteis embutidos, e um deles ainda serve de alça
  • A Anker imprime os 90 Wh e a indicação de uso aéreo na própria carcaça

Contras

  • Passa de meio quilo e é de longe o mais caro da lista
  • A 90 Wh sobra pouca margem: um modelo só um pouco maior já cai na faixa que exige autorização
  • Recarregar ele mesmo demora se você não tiver um carregador de 100W

R$ 700 – R$ 900

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Também vale

Anker Nano Power Bank Magnético 5.000 mAh (Qi2)

18,5 Wh e espessura de cartão: gruda no iPhone e some dentro da bagagem de mão.

Prós

  • Fica preso ao celular por ímã, então não tem fio pendurado no espaço apertado do assento
  • Tão longe do limite de 100 Wh que a regra nunca é problema
  • Leve o suficiente para andar no bolso do casaco o dia inteiro

Contras

  • 5.000 mAh dão menos de uma recarga completa de iPhone
  • Carregamento por indução esquenta e desperdiça energia, o que é pior ainda em cabine quente
  • Caro pelo que entrega: o preço por Wh é o mais alto da lista

R$ 320 – R$ 420

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Perguntas frequentes

Power bank pode ir na bagagem despachada?

Não. Bateria de lítio solta é proibida na mala despachada, e essa regra não mudou. O motivo é prático: um princípio de incêndio na cabine a tripulação apaga em segundos, no porão ninguém vê acontecer. Se você despachar por engano, a mala costuma ser aberta e o aparelho retido.

Como sei quantos Wh tem o meu power bank?

Quase sempre está impresso na carcaça, perto do número de série. Se só houver mAh, divida por 1.000 e multiplique por 3,7, que é a tensão nominal da célula de lítio: 20.000 mAh dão cerca de 74 Wh. Se o número não está legível, o problema deixa de ser a conta, porque a fiscalização precisa ler o valor no aparelho.

Posso usar o power bank durante o voo?

Recarregar o power bank a bordo, na tomada ou na USB do assento, está proibido. Usar o power bank para carregar o celular não está proibido pela ANAC, mas ela recomenda que não se faça isso. Várias companhias estrangeiras vão além e proíbem o uso em voo, então confirme com a sua antes de contar com ele.

Quantos power banks eu posso levar?

Dois por passageiro, cada um dentro do limite de energia. Companhia aérea pode ser mais restritiva que a ANAC, e algumas já limitam a um só.