Pode levar power bank no avião? o que mudou em 2026
Publicado em 5 de agosto de 2026

Até abril deste ano, levar power bank no avião tinha uma regra prática só: não despachar. Em 24 de abril de 2026 a ANAC publicou uma revisão da Instrução Suplementar 175-001 e apertou o resto, acompanhando o que a OACI recomendou depois da sequência de incêndios de bateria de lítio em cabine.
Continua podendo levar. O que mudou é que agora existe número máximo de aparelhos, teto de energia e coisa que você não pode fazer com ele durante o voo.
O que a ANAC mudou
- Só bagagem de mão. Na mala despachada é proibido, e isso já valia antes.
- No máximo dois por passageiro. Esse é o limite novo, e é o que mais pega quem viaja com família e concentra os aparelhos numa mochila só.
- Até 100 Wh, livre. De 100 Wh a 160 Wh, só com autorização prévia da companhia aérea. Acima de 160 Wh, não embarca de jeito nenhum e o aparelho tem que ser descartado antes.
- Proibido recarregar o power bank a bordo. Nada de plugar na tomada ou na USB do assento. Usar o power bank para carregar o celular não foi proibido, mas a ANAC recomenda que você não faça.
- Terminais protegidos contra curto. Na embalagem original ou com as portas isoladas, para não fechar contato com a chave no fundo da mochila.
Vale o de sempre: a companhia pode ser mais dura que a ANAC, e é em voo internacional que isso mais aparece. Algumas empresas asiáticas já proíbem até o uso durante o voo.
A conta que decide tudo: mAh não é Wh
A caixa anuncia mAh. A regra é escrita em Wh. A conversão é uma multiplicação:
Wh = (mAh ÷ 1000) × 3,7
Os 3,7 V são a tensão nominal da célula de lítio, que é a mesma em praticamente todo power bank de consumo. Na prática:
| Capacidade | Energia aproximada | Situação |
|---|---|---|
| 5.000 mAh | 18,5 Wh | livre |
| 10.000 mAh | 37 Wh | livre |
| 20.000 mAh | 74 Wh | livre |
| 25.000 mAh | 92 Wh | livre, perto do teto |
| 27.000 mAh | 100 Wh | no limite |
| 50.000 mAh | 185 Wh | não embarca |
Resumindo: quase tudo que se vende como power bank de bolso passa folgado. Quem esbarra na regra é quem leva bateria de camping, estação portátil de energia ou aquele bloco gigante de 50.000 mAh comprado para acampamento.
Mais importante que a conta é isto: o valor em Wh precisa estar legível na carcaça. Se a etiqueta apagou, ou se o fabricante nunca imprimiu, quem está na fiscalização não tem como validar nada, e a saída fácil é reter o aparelho. É aqui que power bank sem marca sai caro, porque a conta na sua cabeça não vale como prova.
O que comprar (ou só conferir antes de viajar)
Se o seu power bank atual está abaixo de 100 Wh e tem o número impresso e legível, você não precisa comprar nada. O que vem abaixo é para quem vai trocar, para quem não consegue mais ler a etiqueta ou para quem quer resolver isso de uma vez.
Preços mudam com frequência em promoção. Confira o valor atual antes de comprar.
Comparativo rápido
| Modelo | Energia | Melhor para | Faixa de preço |
|---|---|---|---|
| Anker Nano 10.000 mAh | 37 Wh | Viagem curta, uso diário | R$ 250 – R$ 330 |
| Anker Laptop 25.000 mAh | 90 Wh | Quem viaja trabalhando | R$ 700 – R$ 900 |
| Anker Nano magnético 5.000 mAh | 18,5 Wh | Peso mínimo na bagagem | R$ 320 – R$ 420 |
Para a maioria das viagens, o Nano de 10.000 mAh é o suficiente: energia de sobra para o dia de aeroporto, folga confortável em relação ao limite e nenhum cabo extra para lembrar. O de 25.000 mAh só compensa se você realmente carrega notebook em voo longo, e aí vale saber que ele está a poucos Wh da faixa que exige autorização. O magnético de 5.000 mAh é para quem quer só uma sobrevida de bateria e nenhum grama a mais na mochila.
Duas decisões vizinhas mudam o que vale a pena levar. Se o critério não for embarque, e sim velocidade e capacidade no dia a dia, os números que importam são outros e estão no guia de power bank de carregamento rápido. E como recarregar o power bank a bordo virou proibição, quem viaja passa a depender de encher tudo no hotel ou na conexão, o que é exatamente o caso de levar um carregador GaN multi-porta no lugar de três fontes diferentes.
Nossas recomendações
Anker Nano Power Bank 10.000 mAh (30W)
37 Wh, cabe no bolso do assento e o cabo USB-C sai do próprio corpo: o formato que menos dá trabalho num voo.
Prós
- 37 Wh deixam folga enorme em relação ao teto de 100 Wh
- Cabo USB-C integrado, então não tem cabo solto para caçar na mochila durante a conexão
- Capacidade em Wh impressa na carcaça, que é o que o agente pede para ver
Contras
- 10.000 mAh dão 1 a 2 recargas de celular, e num dia inteiro de viagem isso acaba
- O cabo integrado é curto, e o celular fica preso ao power bank enquanto carrega
- Não carrega notebook em velocidade útil
R$ 250 – R$ 330
Ver preço na AmazonAnker Laptop Power Bank 25.000 mAh (165W)
Cerca de 90 Wh: é quase o teto do que embarca sem pedir autorização, e é o único da lista que carrega notebook.
Prós
- Três portas USB-C carregam notebook, celular e fone ao mesmo tempo
- Cabos retráteis embutidos, e um deles ainda serve de alça
- A Anker imprime os 90 Wh e a indicação de uso aéreo na própria carcaça
Contras
- Passa de meio quilo e é de longe o mais caro da lista
- A 90 Wh sobra pouca margem: um modelo só um pouco maior já cai na faixa que exige autorização
- Recarregar ele mesmo demora se você não tiver um carregador de 100W
R$ 700 – R$ 900
Ver preço na AmazonAnker Nano Power Bank Magnético 5.000 mAh (Qi2)
18,5 Wh e espessura de cartão: gruda no iPhone e some dentro da bagagem de mão.
Prós
- Fica preso ao celular por ímã, então não tem fio pendurado no espaço apertado do assento
- Tão longe do limite de 100 Wh que a regra nunca é problema
- Leve o suficiente para andar no bolso do casaco o dia inteiro
Contras
- 5.000 mAh dão menos de uma recarga completa de iPhone
- Carregamento por indução esquenta e desperdiça energia, o que é pior ainda em cabine quente
- Caro pelo que entrega: o preço por Wh é o mais alto da lista
R$ 320 – R$ 420
Ver preço na AmazonPerguntas frequentes
Power bank pode ir na bagagem despachada?
Não. Bateria de lítio solta é proibida na mala despachada, e essa regra não mudou. O motivo é prático: um princípio de incêndio na cabine a tripulação apaga em segundos, no porão ninguém vê acontecer. Se você despachar por engano, a mala costuma ser aberta e o aparelho retido.
Como sei quantos Wh tem o meu power bank?
Quase sempre está impresso na carcaça, perto do número de série. Se só houver mAh, divida por 1.000 e multiplique por 3,7, que é a tensão nominal da célula de lítio: 20.000 mAh dão cerca de 74 Wh. Se o número não está legível, o problema deixa de ser a conta, porque a fiscalização precisa ler o valor no aparelho.
Posso usar o power bank durante o voo?
Recarregar o power bank a bordo, na tomada ou na USB do assento, está proibido. Usar o power bank para carregar o celular não está proibido pela ANAC, mas ela recomenda que não se faça isso. Várias companhias estrangeiras vão além e proíbem o uso em voo, então confirme com a sua antes de contar com ele.
Quantos power banks eu posso levar?
Dois por passageiro, cada um dentro do limite de energia. Companhia aérea pode ser mais restritiva que a ANAC, e algumas já limitam a um só.


